O Shakhtar Donetsk abriu sua nova campanha na Liga dos Campeões com uma vitória de virada por 3 a 1 sobre o AEK, da Grécia, em partida disputada em Londres, no Stamford Bridge, casa do Chelsea. Mais do que o resultado, chamou atenção a escalação do time ucraniano: sete brasileiros começaram jogando, reafirmando uma tradição que já dura quase duas décadas no clube do leste europeu.
Gols brasileiros decidem em Stamford Bridge
Mesmo saindo atrás no placar, o Shakhtar buscou a virada com protagonismo nítido da base brasileira do elenco. O meia Pedrinho, ex-Corinthians, converteu um pênalti que recolocou a equipe ucraniana na partida, enquanto o lateral-direito Vinicius Tobias, que já passou pelas categorias do Real Madrid, também balançou as redes. Completaram a lista de titulares brasileiros o lateral-esquerdo Pedro Henrique, o meia Marlon Gomes e os atacantes Newerton, Alisson Santana e Kauã Elias - um retrato de como o clube segue priorizando talentos formados no Brasil mesmo em meio às dificuldades impostas pela guerra. Isaac, Lucas Ferreira e Luca Meirelles também entraram em campo, reforçando ainda mais essa presença.
Uma conexão que remonta a Lucescu
A aposta em jogadores brasileiros no Shakhtar não é recente. Ela ganhou forma ainda sob o comando do romeno Mircea Lucescu, treinador que enfrentou o Brasil de Pelé, Tostão e Rivellino na Copa de 1970 e que, décadas depois, construiu no clube ucraniano uma verdadeira rede de observação de talentos brasileiros. Com o apoio do empresário Rinat Akhmetov, então presidente da equipe, Lucescu trouxe nomes como Brandão, Luís Adriano, Fernandinho, William, Jadson e Ilsinho - peças fundamentais na conquista da Copa da Uefa na temporada 2008/09, até hoje o principal título internacional do clube. Desde então, a identidade brasileira se tornou parte do projeto esportivo do Shakhtar.
Futebol sob o peso da guerra
O contexto em que esse time atua, no entanto, está longe do normal. Desde 2014, o Shakhtar não manda seus jogos na Donbass Arena, em Donetsk, por conta da ocupação da região pelas forças russas. A equipe treina em Kiev e manda seus jogos pelo Campeonato Ucraniano na Arena Lviv, no oeste do país. Para as partidas como mandante na Liga dos Campeões, o clube optou por atuar em Londres como forma de ampliar sua visibilidade internacional - uma decisão que também carrega significado simbólico em meio ao conflito. A logística para essas viagens é complexa: a delegação parte de ônibus rumo ao aeroporto de Rzeszów-Jasionka, na Polônia, de onde embarca para a capital inglesa, um trajeto que pode levar cerca de dez horas, sujeito a imprevistos na fronteira.
Próximos desafios e expectativa
Como mandante, o Shakhtar ainda terá pela frente Sporting, Fenerbahce e Real Madrid na fase de liga da competição, sempre repetindo esse itinerário logístico fora do território ucraniano. Resta saber se a nova geração de brasileiros - mais jovem e menos conhecida do grande público do que as gerações de Fernandinho e Luís Adriano - conseguirá sustentar o nível competitivo do clube diante de adversários de peso europeu. O início em Londres, ao menos, trouxe sinais positivos para uma equipe que segue enfrentando dificuldades que vão muito além do campo.